Blog

Antes, o mundo. Depois, o universo.

Até há quatro meses, esta professora considerava-se razoavelmente cética no que diz respeito à eficácia de metodologias construídas à luz do Desenho Universal da Aprendizagem (DUA). Porquê? muito simplesmente, por não conhecer nenhum método ou metodologia que se pudesse considerar verdadeiramente representativo do DUA.

Contextualizando, o DUA é um conjunto de princípios que favorecem a equidade, a acessibilidade, a inclusão, a flexibilidade, a simplicidade/intuição, tolerância ao erro e segurança, o conforto, a adequação a um elevado número de pessoas respeitando as suas diferenças. Note-se que não se trata de adaptação, é exatamente o contrário. Ou seja, construir e proporcionar, de raiz, algo que seja apropriado e indicado para o maior número possível de pessoas semelhantes e/ou diferentes entre si e que respeite essas suas semelhanças/diferenças num ambiente de todos, inclusivo e flexível.

Pois então, pense num pequeno BIG BANG.

Tudo começou numa Ação de Formação, em que a Celmira Macedo propôs a desconstrução e reconstrução de meia dúzia de conceitos e onde com mais uns quês da sua mágica, fez com que um certo (*) paradigma mudasse. Eis que a tal célula de luz, fonte de vida nova, nasceu.

Assim é o EKUI, com os seus próprios quatro pilares — Equidade, Conhecimento, Universalidade, Inclusão —, é detentor de identidade fascinante que dá vontade de conhecer e partilhar. Parece complicado, mas não é. Só as palavras atrapalham e talvez em breve, simplifiquem. Parafraseando a sua fundadora:

A EKUI é uma metodologia de aprendizagem inclusiva, única no mundo. Disruptiva. Utiliza o braille, a língua gestual e a fonética para ensinar a ler, a escrever e a comunicar, além de educar para a cidadania. Centenas de professores comprovaram a sua eficácia na aprendizagem dos alunos. Um orgulho, portanto. Mas também uma inquietação. Porque a inovação implica mudança e rutura. (Celmira Macedo, 2019)

Quer se lhe dê o nome de BIG BANG ou EKUI, o certo é que originou uma nova jornada, um processo nada kafkiano e até pelo contrário, um caminho, apaixonante, enriquecedor, colorido, melódico, sinestésico, doce, quente e feliz. O sonho de uma metodologia verdadeiramente imbuída do Desenho Universal da Aprendizagem, realizado.

Saiba que toda e qualquer pessoa recebe as boas vindas no universo EKUI, mesmo que se sinta de outro planeta. Por exemplo, os alunos mais velhos, do 3º CEB, Secundário e até adultos e/ou seniores, vão gostar do interplanetário EKUI. A verdade é só uma e aqui em casa, já entrou a Língua Gestual e agora, abrem-se as portas ao Braille.

Para finalizar, uma sugestão e um reparo de quem muito aprecia ficção científica e a música. Deixemo-nos EKUIZAR. O termo até pode ser sonoramente meio alienígena [risos] mas simplesmente, encanta. Quem sabe virá a aparecer musicado. Vá, não percam tempo! EKUIZEM-SE!

(*) e pessoal.

Margarida Azevedo, professora de Educação Especial, mestre em Ciências Musicais (antes de Bolonha). Autora do blogue www.oumesmonada.lda.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *